Produção supera expectativas e MS colhe supersafra com 8,497 milhões de toneladas de soja

A produção de soja em Mato Grosso do Sul superou todas as expectativas de agricultores e entidades do setor. O estado fechou o ciclo 2016/2017 colhendo 8,497 milhões de toneladas do grão. O volume é 4,06% maior que a previsão de 8,165 milhões de toneladas feita pela Associação dos Produtores da oleaginosa (Aprosoja/MS), com base em dados do Sistema de Informação Geográfica do Agronegócio (Siga), no início de abril e 11,8% superior as 7,601 milhões de toneladas da temporada passada (2015/2016).

Apesar dos números finais da safra terem surpreendido, a previsão de uma produção recorde a maior da história da cultura no estado e que havia sido feita desde o início do plantio se confirmou. Para atingir esse volume, o estado contou com um incremento de 2,4% na área cultivada nesta safra ante a anterior, de 2,46 milhões de hectares para 2,52 milhões de hectares e 9,1% na produtividade, que saltou da média de 51,5 sacas por hectare para 56,2 sacas por hectare.

Um grupo de cinco municípios concentrou mais de um terço da produção sul-mato-grossense na temporada. Juntos, Maracaju, Ponta Porã, Sidrolândia, Dourados e Aral Moreira, colheram 3,181 milhões de toneladas de soja, ou 37,43% da quantidade total do estado.

A liderança do ranking estadual de produção ficou novamente com o município de Maracaju. Os agricultores locais colheram 903,118 mil toneladas e registraram um rendimento médio de 58 sacas por hectare. Na sequência aparecem: Ponta Porã, com 669,401 mil toneladas (produtividade de 54,8 sacas por hectare), Sidrolândia, com 614,181 mil toneladas (52,9 sacas por hectare), Dourados 558,553 mil toneladas (56,5 sacas por hectare) e Aral Moreira, com 406,468 mil toneladas (60,5 sacas por hectare).

Para o presidente da Aprosoja/MS, Christiano Bortolotto, os resultados são excelentes tanto para o produtor rural, quanto para o estado, que se beneficia economicamente com uma maior arrecadação.

 “No entanto, a situação é muito preocupante. Os números são positivos, mas a safra é muito ruim, péssima, em termos de rentabilidade. Alcançamos a produção de um grande volume de grãos, mas essa produção custou muito, saiu muito cara ao produtor”. “O agricultor está saindo de bolso vazio desta safra, e isso só vai mudar se os preços pagos pela soja melhorarem”, finaliza.

Demonstram essa preocupação do dirigente da Aprosoja/MS os dados mais recentes divulgados pelo Departamento de Economia da Federação de Agricultura e Pecuária do estado (Sistema Famasul). Levantamento da entidade aponta que os dias 3 e 11 de abril, o preço médio da saca de soja recuou no mercado sul-mato-grossense 1,48%, encerrando o período cotado a média de R$ 51,55. Em comparação com o mesmo período de 2016, o preço recuou 15,08%.

Em agosto de 2016, um comunicado da Embrapa Agropecuária Oeste, em Dourados, já apontava que o custo de produção da soja neste ciclo no estado aumentaria entre 10,9% e 12,57%, dependendo do tipo de semente que seria utilizada pelo produtor, se convencional ou transgênica.

No mercado internacional, balizado pela bolsa de Chicago, nos Estados Unidos, foi registrada uma estabilidade nas cotações no início de abril. O contrato com vencimento em maio encerrou o período com alta de 0,11%, sendo cotado a US$ 9,39 o bushel (unidade de medida equivalente a 27,21 quilos).

Segundo levantamento realizado pela Granos Corretora, o até o dia 10 de abril os produtores de Mato Grosso do Sul já haviam comercializado 40,2% da safra recém encerrada. No mesmo período do ciclo passado a comercialização estava em 62,5%, o que representa um atraso superior a 22 pontos percentuais.

G1 MS

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